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25 de abril: a revolução portuguesa (2)

25 de abril: a revolução portuguesa (2)


“O êxito fácil demais do 25 de novembro, que é sua principal originalidade, obriga a examinar com mais atenção a política seguida pelo PCP, pela ala esquerda do MFA e pelos grupos da esquerda revolucionária.”

Protecção da cabra selvagem no Gerês

Protecção da cabra selvagem no Gerês


Todos sabemos nos dias de hoje que as maiores catástrofes ambientais e de destruição de natureza e fauna se deve, em grande medida, ao capitalismo selvagem que impera no mundo onde a procura desenfreada do lucro é o alfa e o ómega das grandes multinacionais em conluio com os governos que nos (des)governam.

Solidariedade com o presidente do SEAL (Sindicato de estivadores), António Mariano.

Solidariedade com o presidente do SEAL (Sindicato de estivadores), António Mariano.


Basta de Perseguição Sindical! Fora as empresas mafiosas dos Portos!

António Mariano, presidente do SEAL - Sindicato dos Estivadores e da Atividade Logística, foi constituído arguido, tendo ficado sujeito à medida de coação de Termo de Identidade e Residência (TIR), que o impede de sair do país por um período superior a 5 dias, sem prévio conhecimento às autoridades.

Aeroporto no Montijo: travar uma solução inimiga do ambiente

Aeroporto no Montijo: travar uma solução inimiga do ambiente


A declaração perentória de Mário Lino ficou gravada para sempre no anedotário nacional. Estávamos em 2007 e para Mario Lino, a Margem Sul do Tejo era um “deserto”. Daí o “Alcochete Jamais!”.

Novo Banco: basta de injeções públicas na banca privada! Nacionalização imediata!

Novo Banco: basta de injeções públicas na banca privada! Nacionalização imediata!

O Novo Banco volta a apresentar prejuízos no ano de 2018: €1.412 milhões. Segundo a imprensa, a actual administração do banco vai pedir mais €1.149 milhões ao Fundo de Resolução, ou seja, ao Estado, a todos nós.

Com mais esta injecção, o actual Governo PS e o anterior Governo PSD/CDS-PP, em conjunto, injectarão cerca de €7.000 milhões de dinheiros públicos no Novo Banco, mantendo a possibilidade de alcançar perto dos €10.000 milhões, enquanto mantém apenas 25% do capital da instituição, sem qualquer poder de decisão. Aquela soma corresponde a mais que um orçamento anual para o SNS ou para a Educação. Por contrapartida da venda do banco, o fundo abutre Lonestar apenas teve de injectar €1.000 milhões, em troca de 75% do capital do banco e de todos os poderes de decisão.

Os prejuízos apresentados pelo Novo Banco são justificados, em 69%, pelo reconhecimento de perdas com ativos tóxicos (créditos incobráveis e imóveis que o banco não tem como gerir). No entanto, o crédito mal-parado na instituição apenas diminuiu de 28% para 22%. O Novo Banco mantém assim uma monstruosidade de cerca de €6.700 milhões de crédito mal-parado (valor contabilístico), valor que a UE impõe que alcance perto dos €3.000 milhões nos próximos anos (10% de crédito mal-parado).

Há três conclusões a retirar: 1) apesar das criticas de Ricardo Salgado ao Governo de Passos Coelho, este poupou a família da responsabilidade de pagar pelo buraco financeiro que criou, pois é agora evidente que a fatia de leão dos ativos tóxicos ficaram alojados no Novo Banco e não no ex-BES (“banco mau”); 2) as perdas com ativos tóxicos, fruto da gestão danosa da família Espírito Santo, estão a ser financiadas por capitais públicos, desde a resolução do banco, em 2014; 3) a venda do Novo Banco, pelo Governo PS, foi um negócio completamente ruinoso para os cofres do Estado, pois, para além dos €5.000 milhões que já tinham sido enterrados no banco, incluiu uma nova capitalização estatal que pode alcançar mais €4.000 milhões, cuja participação no capital não varia dos 25% e vai sendo acompanhada de despedimentos e encerramento de balcões.

Geringonça não resolve: o OE aprovado não o esconde!

A apresentação de resultados despoletou todo um conjunto de surpreendentes reações da parte dos mais variados quadrantes políticos. O Governo PS, através de Centeno, ordenou uma auditoria externa às contas do Novo Banco. Surpreendente! O Novo Banco foi sujeito, em 2017, a inúmeras auditorias, quer pelo Governo, através do Banco de Portugal, quer pelos abutres da Lonestar, com o objetivo de aferir o verdadeiro valor do banco. Os valores são relativamente públicos. A comprová-lo está a garantia estatal de €4.000 milhões, aprovada por Centeno, aquando da venda do Novo Banco, cujo valor vai ao encontro daquilo que o banco precisa para descer o seu crédito mal-parado até aos níveis exigidos pela UE. Será um acaso? Será que o Governo PS vendeu o banco sem conhecer o seu valor ou conhecer os seus activos? Não nos parece. Centeno desempenha agora o papel de ingénuo moço de recados, depois de conscientemente ter aprovado um negócio ruinoso para o erário público: venda a zero de um banco avaliado em €5.000 milhões.

A direita aproveita mais uma brecha para desgastar a Geringonça e exige que Centeno vá ao Parlamento explicar a nova injeção de capitais. A direita conta com uma fraca memória dos portugueses, ou aposta em fazer-nos de tolos. Aquilo que a direita deveria fazer era assumir responsabilidades pela resolução ruinosa. O mesmo se aplica ao Presidente da República, Marcelo, que apoiou a venda do Novo Banco, pelo Governo PS, sob o mote de “mal menor” e que, hoje, exige uma auditoria às contas para se saber “concretamente qual é o destino do dinheiro dos contribuintes”. Será que Marcelo tomou posição sobre a venda do banco sem saber para onde iria o dinheiro dos contribuintes? Também não nos parece. Fica, mais uma vez, evidente que o oportunismo e a hipocrisia da direita não têm limites!

A esquerda parlamentar, BE e PCP, não escapa à política do ilusionismo. Catarina Martins expõe, com pretensa estranheza, que "o Novo Banco foi vendido e agora quer mais dinheiro do Estado português" e Jerónimo de Sousa acusa o Governo de “encher a barriga ao grande capital”. O que dizer destas declarações depois de tais forças políticas terem acabado de aprovar um Orçamento do Estado, para o ano de 2019, o quarto desta legislatura, com mais uma parcela de €850 milhões para injectar na banca? BE e PCP querem convencer-nos que é possível conciliar os buracos tóxicos da banca, fruto dos interesses privados, com a recuperação de rendimentos e direitos. A realidade tem-se ocupado de comprovar o contrário. Que o digam Enfermeiros, Professores, Estivadores ou qualquer outro sector que tem saído à rua, em greve, no último ano.

A correta e justa solução para o Novo Banco passa pela sua imediata nacionalização, sem indemnização ao fundo Lonestar, com a responsabilização da administração do ex-BES. A gestão danosa, os créditos mal-concedidos, hoje mal-parados, os ativos tóxicos, o favorecimento, a corrupção têm de ser colocados à responsabilidade dos Espírito Santo e da sua administração. Só assim conseguiremos garantir a soberania e o desenvolvimento sustentável da economia portuguesa, assim como o financiamento dos serviços públicos, da recuperação de direitos roubados pela direita, assim como dos salários e pensões. O Governo não pode continuar a sangrar o país para salvar a banca. BE, PCP e CGTP, mais do que retórica, devem encabeçar esta exigência, não só no Parlamento, como nas ruas e nos locais de trabalho. Desde Dezembro de 2014 já foram despedidos 1.676 bancários e encerrados 183 balcões no Novo Banco. Só em 2016 e 2017, sob o Governo PS, foi permitido o despedimento de 1.415 trabalhadores e o encerramento de 148 balcões. É necessário parar esta sangria. Fim dos despedimentos na banca! Nacionalização já!

Conan Osíris: apelo para que boicote a Eurovisão em Israel

Conan Osíris: apelo para que boicote a Eurovisão em Israel

 O Comité de Solidariedade com a Palestina, o SOS Racismo e as Panteras Rosa (Frente de Combate à LesBiGayTransFobia) apelaram a Conan Osíris - que venceu hoje a final da 53.ª edição do Festival da Canção - para que não fosse a Telavive em representação de Portugal na Eurovisão, respondendo ao apelo de artistas palestinianos para o boicote. O MAS partilha e faz eco deste apelo.

O apelo relembra que “a escassos minutos de onde terá lugar o Festival, Israel mantém um cerco ilegal a 1.8 milhão de palestinianos em Gaza, negando-lhes os direitos mais básicos.” E que “também a escassos minutos de Telavive, 2.7 milhões de palestinianos da Cisjordânia vivem aprisionados por um muro de apartheid ilegal. Israel continua a expandir a sua colonização na Cisjordânia, com o intuito de expulsar mais famílias palestinianas, entregando assim as terras e casas confiscadas a colonos israelitas”.

As três organizações signatárias do apelo juntam-se ao movimento internacional de BDS – Boicote, Desinvestimento, Sanções – que denuncia o uso da cultura por Israel como instrumento de propaganda para branquear a sua imagem. Pelo seu lado, este movimento usa o BDS como meio não-violento de pressionar Israel a respeitar os direitos humanos da população palestiniana. Já são uns milhares os artistas de todo o mundo que recusaram actuar em Israel enquanto aí permanecer o estado de colonização e apartheid.

Shahd Wadi, porta-voz do Comité de Solidariedade com a Palestina, comenta: “Reconhecemos que não é uma decisão fácil, de largar o glitz e glamour da Eurovisão, mas a custo de quê? O apelo ao boicote dos artistas palestinianos, brutalizados durante décadas pelo Estado de Israel, foi seguido por centenas de artistas internacionais e portugueses, de Roger Waters aos Wolf Alice. Eles percebem que a sua arte tem o poder de ajudar a mudar a situação na Palestina, mostrando a Israel que esta ocupação tem um custo. Israel está a usar a Eurovisão para branquear a opressão do povo palestiniano. Esta é uma oportunidade para que Conan Osiris encontre um lugar nos livros de história, juntando o seu a outros nomes ilustres nesta campanha. Estamos abertos a um diálogo”.

Abaixo, publicamos o texto integral do apelo:

Caro Conan Osíris,

Este ano tencionas participar no Festival da Canção da Eurovisão, que terá lugar em Telavive, Israel.

Enquanto activistas pelos direitos humanos e apoiantes do povo palestiniano na sua luta contra a opressão e a colonização, gostaríamos com esta carta de te informar melhor sobre o país anfitrião da final da Eurovisão e o apelo dos artistas palestinianos ao boicote do evento.

Israel não é um país normal. A escassos minutos de onde terá lugar o Festival, Israel mantém um cerco ilegal a 1.8 milhão de palestinianos em Gaza, negando-lhes os direitos mais básicos. As condições de vida criadas por Israel são de tal forma desesperantes que as Nações Unidas declararam Gaza “inabitável”.

Israel massacrou 62 palestinianos em Gaza, incluindo seis crianças, apenas dois dias depois da vitória de 2018 na Eurovisão em Lisboa. Naquela mesma noite, Netta Barzilai realizou um concerto de comemoração em Telavive e disse: "Temos um motivo para estarmos felizes".

Também a escassos minutos de Telavive, 2.7 milhões de palestinianos da Cisjordânia vivem aprisionados por um muro de apartheid ilegal. Israel continua a expandir a sua colonização na Cisjordânia, com o intuito de expulsar mais famílias palestinianas, entregando assim as terras e casas confiscadas a colonos israelitas.

Este estado de apartheid, dentro de Israel ou nos territórios ocupados, acaba de ser legitimado pela aprovação no parlamento israelita da “Lei do Estado-Nação do povo judeu”. Uma lei que declara a superioridade racial de israelitas judeus e condenada pela União Europeia, incluindo Portugal.

Assim como os artistas tiveram um papel histórico e decisivo na luta contra o apartheid sul-africano, recusando-se a tocar em Sun City, artistas de todo o mundo se juntaram ao boicote cultural a Israel, em resposta ao apelo palestiniano, recusando-se a branquear a imagem do país com o prestigioso Festival da Canção e eventos semelhantes.

Cerca de 140 artistas europeus, incluindo vários finalistas do Festival da Eurovisão e o vencedor de 1994, subscreveram o boicote ao Festival da Canção de 2019 em Israel através de uma declaração publicada no jornal The Guardian. Entre eles, o músico australiano Nick Seymour, o coreógrafo belga Alain Platel, o actor dinamarquês Jesper Christensen, o dramaturgo judeu Moni Ovadia, o compositor catalão Lluís Llach, o músico norueguês Moddi, o coro esloveno ŽPZ Kombinat, o actor norte-americano Alia Shawkat, bem como cineasta vencedores do Festival de Cannes (Alain Guiraudie, Ken Loach, Mike Leigh, Eyal Sivan e Aki Kaurismäki).

Em Novembro, um conjunto de figuras portuguesas apelou à RTP para não participar nesta edição do Festival. Alexandra Lucas Coelho (escritora), Joana Villaverde (artista plástica), Francisca Cortesão (cantora), João Grosso, Maria do Céu Guerra e Manuela Freitas (atores), Teresa Dias Coelho (pintora), Susana Sousa dias (cineasta), Nuno Lobito (fotógrafo), José Mário Branco (músico) e Tiago Rodrigues (diretor artístico do Teatro Nacional D. Maria II) são alguns dos signatários.

Mais recentemente, um conjunto de artistas britânicos juntou a sua voz ao crescente coro para um boicote do Festival da Canção, entre eles os Wolf Alice, a Vivienne Westwood, o Peter Gabriel e o Roger Waters dos Pink Floyd.

Temos consciência de que para ti a participação na Eurovisão é a realização de um sonho e o fruto de um trabalho importante. Mas pedimos que a tua participação não se faça à custa da liberdade e dos direitos humanos do povo palestiniano.

Caso sejas escolhido para representar Portugal no Festival da Canção, terás a oportunidade de fazer história, e de tomares uma decisão de coragem e princípio, recusando-te a ires para Israel e a ajudares a legitimar a opressão de todo um povo.

Se tomares essa decisão, queremos que saibas que terás não só o nosso apoio e admiração, mas também o de milhares de pessoas à volta do mundo, que apoiam este crescente movimento de liberdade, justiça e igualdade para o povo palestiniano.

Continua a cantar livremente, mas respeitando a dignidade e a liberdade do povo palestiniano!

CONAN OSÍRIS, NÃO CANTES PARA O APARTHEID ISRAELITA!

 

Comité de Solidariedade com a Palestina

SOS Racismo

Panteras Rosa (Frente de Combate à LesBiGayTrans Fobia)

 

Comité de Solidariedade com a Palestina

palestinavence.blogs.sapo.pt

 

Plataforma BDS-Portugal:

https://www.facebook.com/BDS.Portugal

Governo PS tira da boca dos enfermeiros para enterrar mais €1.000 milhões no Novo Banco. Todo o apoio à luta dos enfermeiros.

Governo PS tira da boca dos enfermeiros para enterrar mais €1.000 milhões no Novo Banco. Todo o apoio à luta dos enfermeiros.

Os enfermeiros apenas exigem investimento no Serviço Nacional de Saúde (SNS), investimento esse que os sucessivos Governos PS, PSD/CDS-PP têm vindo a destruir, nos últimos anos, em função de uma paulatina privatização. Em 2017, de acordo com o Pordata, os dados da execução orçamental mostram que a despesa na Saúde voltou a diminuir, face a 2016, de €8,81 mil milhões para €8,76 mil milhões, quando em 2010, antes da chegada da Troika, a despesa com o SNS representava €9,8 mil milhões. Já para não falar nas Parcerias Público Privadas (PPPs)  da Saúde que, só em 2017, custaram €500 milhões ao Estado.

Descongelamento da progressão nas carreiras, mais contratação de enfermeiros para o SNS, combate à precariedade através da limitação do recurso a contratos a termo, estruturação da carreira de enfermagem, um vencimento base digno e uma reforma com uma idade digna são as principais reivindicações feitas pelos enfermeiros.

Os enfermeiros lutam pela valorização da profissão, pela qualidade dos serviços públicos prestados e pela qualidade das condições de trabalho de quem os presta. Lutam pelo país e pelo nosso SNS público e acessível a todos os que dele precisem. Estamos completamente solidários com a sua luta.

Face a estas reivindicações, completamente basilares, o Governo Costa, como já vem sendo hábito, opta por esmagar o direito à greve e responde com uma requisição civil. Aquilo que o Governo PS, apoiado por BE e PCP, tem de fazer é aceitar as reivindicações dos profissionais que tudo têm feito para manter o nosso SNS em funcionamento.

Mas não, o Governo PS prefere tirar da boca dos enfermeiros para alimentar a especulação e os privilégios dos banqueiros. Segundo notícias de hoje, este ano, serão injetados mais de €1.000 milhões no Novo Banco. É precisamente isto que o défice 0% significa: humilhação para quem trabalha e privilégios para as elites que se dedicam à especulação e corrupção.

Com uma direção sindical e uma Ordem profissional inaptos e comprometidos com a direita hipócrita, os enfermeiros foram lançados na fogueira da descredibilização. Uma das profissões que mais tem dado pelos nossos serviços públicos, sendo muitas vezes empurrada a emigrar por falta de condições de vida, é agora enxovalhada pelos media, pelo Governo, pelo Presidente da República e pela direita, influenciando erradamente a opinião pública como forma de isolar e subjugar pela força aquela classe profissional. Costa não tem pejo algum em apelidar de “selvagem” a greve de uma categoria profissional que tem sido tratada de forma selvática, nas últimas décadas, incluindo pelo actual Governo.

Este é um coro a que, pelos vistos, nem a esquerda escapa, uma esquerda ao sabor da opinião pública e daquilo que isso pode representar em votos, num ano de todas as eleições. Jerónimo de Sousa volta a atacar o fundo de greve dos enfermeiros como critério para avaliar a falta de sacrifício e dedicação à luta dos enfermeiros. Esta é a forma que o PCP encontrou para ir desgastando mais uma greve justa, com métodos corretos e um fundo correto mas que passa por fora do seu domínio. Para o PCP não basta que a greve seja justa, tem de passar pelo seu férreo controlo. Já Catarina Martins apela ao “bom senso de ambas as partes” e denuncia as “sucessivas novas reivindicações” dos enfermeiros. Esta é uma posição que não compromete totalmente as expectativas da sua base eleitoral, enquanto se esquiva de um choque frontal com a opinião pública. No entanto, é uma posição que nada favorece a luta dos enfermeiros.

Devemos debater quais as condições dos nossos hospitais e centros de saúde, quais as suas condições de trabalho, para onde está a ser canalizado o dinheiro público, quais as exigências dos enfermeiros e as propostas do Governo, assim como o tipo de serviços mínimos que devem ser exigidos. A resposta a estes aspetos não é satisfeita por uma requisição civil, pela força do Estado. A resposta a todas aquelas questões só poderá ser encontrada através da luta, quer seja dos enfermeiros, dos médicos, dos assistentes operacionais, dos professores, dos estivadores ou de qualquer outro sector profissional.

A esquerda parlamentar, BE e PCP, deveria estar sim empenhada na unidade dos setores em luta, muitos deles públicos, com reivindicações semelhantes: salários dignos, reconhecimento, descongelamento e progressão nas carreiras. No fundo, a esquerda deveria olhar para a luta dos enfermeiros como a vanguarda da defesa dos serviços públicos de qualidade. É preciso seguir o exemplo dos estivadores, dos enfermeiros e dos “coletes amarelos” franceses e vir para a rua em força. Só encostando o Governo às cordas é possível obter vitórias. O BE e PCP, a CGTP, todo o movimento sindical e movimentos sociais, não podem mais continuar com lutas moderadas e divididas. É preciso unir as lutas.

A esquerda, em vez de apoiar o Governo no Parlamento, tem de colocar milhares na rua para exigir que o PS faça o que prometeu e devolva todos os direitos roubados, assim como o investimento público. É possível fazer uma manifestação nacional contra a precariedade e pelo aumento dos salários e reconhecimento de todos os direitos roubados pela direita! A luta dos enfermeiros tem todo o nosso apoio e solidariedade!

CGD: os verdadeiros ladrões são os banqueiros e a elite que os rodeia!

CGD: os verdadeiros ladrões são os banqueiros e a elite que os rodeia!

Entre 2000 e 2015, as várias administrações da CGD concederam empréstimos de alto risco, sem as devidas garantias, ignorando as análises do seu próprio Departamento de Risco e ignorando as regras internas de concessão de crédito. Estas operações já resultaram em perdas que ascendem a €1,2 mil milhões, no banco público. Os maiores empréstimos terão sido concedidos à La Seda, Joe Berardo e Manuel Fino.

Mas não é tudo. As sucessivas administrações da CGD fizeram ainda vários investimentos ruinosos. Compra de acções do BCP que se transformaram em perdas de €555 milhões. Compra de obrigações Caravela (operação financeira feita com o Credit Suisse), originando perdas de €340 milhões. Compra de acções da La Seda, com a perdas de €53 milhões, entre muitas outras perdas.

O Revisor Oficial de Contas da CGD alertou, em 2007, para o risco de “fraudes ou erros”, alerta que foi ignorado pelo supervisor, o BdP, e pelos sucessivos Governos PS/PSD/CDS-PP. Daí que nenhum destes partidos tenha tido grande interesse em divulgar, durante os seus governos, o que se passava na CGD.

As administrações da CGD apenas serviram como correia de transmissão dos interesses privados do governo de turno. Os reguladores fecharam os olhos e quem paga agora a fatura são os trabalhadores da CGD e os contribuintes. Mas quem administrou a CGD? António Sousa (2000 a 2004), nomeado pelo Governo Guterres (PS), Governador do BdP, entre 1994 e 2000. Dessa administração fazia ainda parte o ex-ministro da Indústria de Cavaco Silva, Mira Amaral (PSD). Vítor Martins (2004 e 2005), nomeado no Governo Santana Lopes (PSD), por Bagão Félix (PSD). Carlos Santos Ferreira (2005 a 2008), nomeado no primeiro Governo Sócrates (PS). Dessa administração fazia parte o ex-ministro da Juventude e Desporto de António Guterres, Armando Vara (PS). Fernando Faria de Oliveira (2008 a 2011), igualmente nomeado pelo Governo Sócrates (PS). José de Matos (2011 a 2015), nomeado pelo último Governo PSD/CDS-PP. Já Carlos Costa, actual Governador do BdP, foi vogal do Conselho de Administração da CGD, entre 2004 e 2006.

A extrema-direita e as elites que nos governam tentam convencer-nos que o problema do país e da Europa está nos bairros periféricos das grandes cidades, entre os mais pobres e excluídos, as comunidades negras e ciganas, entre os imigrantes que chegam à Europa em busca de refugio que lhes permita trabalhar e sobreviver. No entanto, a verdadeira criminalidade, capaz de arruinar países, faz parte do mundo dos grandes negócios e da grande finança, dos governos da direita e do PS.

É lamentável que BE e PCP tenham ajudado o PS a aprovar uma reestruturação da CGD, sob o aval de Bruxelas, onde foram autorizados a injectar cerca de €4 mil milhões e a contrair um empréstimo obrigacionistas, junto de privados, em troca da destruição de 2.500 a 3.000 postos de trabalho e do encerramento de 180 agências. Tudo antes de uma séria auditoria e da responsabilização das diversas administrações.

Ao que parece, esta reestruturação da CGD foi feita antes de se conhecer os resultados de uma verdadeira auditoria, antes de se conhecerem os principais devedores, os respectivos responsáveis pela concessão de tais créditos, as devidas perdas e antes de serem desenvolvidas todas as acções para a recuperação dos créditos concedidos. Antes de se saber o que se passou, avançou-se com o dinheiro público. Como se chegou, afinal, ao número de €4 mil milhões para injectar na CGD? Hoje, estamos confrontados com a possibilidade de os crimes cometidos e a gestão danosa poderem já ter prescrito. Já para não falar da impunidade dos sucessivos governos da direita e do PS, representantes do acionista Estado, aqueles que aprovaram as contas da CGD, que aprovaram os vários relatórios de auditoria e que promoveram os bónus chorudos aos administradores. Sobre os pequenos devedores, a banca é implacável, cobrando todas as dívidas até ao último cêntimo. Já os grandes devedores, aqueles que deliberadamente não pagam os créditos que lhe são concedidos, nada lhes acontece.

Nada disto é propriamente novo. Administração financeira danosa e criminosa. Gestão paga a peso de ouro. Interesses privados que reforçam as suas fortunas através de dinheiros públicos. Regulador ausente. Auditorias e inquéritos parlamentares para entreter a opinião pública. Governos coniventes. Reestruturações de Bruxelas. Trabalhadores despedidos. Serviços destruídos e nós, trabalhadores e contribuintes, a pagar os buracos financeiros. Basta!

É necessário defender a CGD pública e os seus trabalhadores bancários!

O plano de Bruxelas é a privatização da CGD, assim como fizeram com os CTT e estão a fazer com a Saúde e a Educação.

Não basta que todos os partidos parlamentares estejam agora de acordo com mais uma Comissão de Inquérito, sem qualquer relevância judicial, a que todos os inquiridos respondem com a conveniente amnésia. Não basta que os mesmos partidos que nomearam as sucessivas administrações da banca, PS, PSD e CSD-PP, assumam agora que houve gestão danosa, ao mesmo tempo que os despedimentos na CGD prosseguem. Não é sério, no mínimo.

Tem de existir, sim, a manutenção e fortalecimento de uma banca pública, capaz de incrementar planos de desenvolvimento económico, de investimento na nossa economia, de redução do desemprego, de melhoria do emprego existente e de aumentos salariais. A defesa de todos os postos de trabalho é fundamental. BE e o PCP têm de passar dos jogos de palavras aos actos. Passar da análise da conjuntura à transformação da realidade. Passar do “sorrir e acenar” para a concretização de um plano de defesa dos nossos empregos e salários.

Sem uma banca pública forte as condições para o desenvolvimento, defesa da soberania e independência sairão debilitadas. Isto é tudo o que Bruxelas tem para nos oferecer e o que o actual Governo PS, apoiado por BE e PCP, vai consumando.

Prisão e confisco para quem roubou e endividou os bancos!

Nacionalização de todos os setores estratégicos!

Defesa e manutenção da banca pública! Defesa de todos os postos de trabalho!

As casas das Repúblicas de Coimbra degradam-se

As casas das Repúblicas de Coimbra degradam-se

As Repúblicas de Estudantes de Coimbra fizeram parte da Candidatura da Universidade de Coimbra a Património Mundial da Unesco em 2012. Existem há séculos, algumas das que ainda resistem são dos anos 50 do séc. XX, tiveram e têm um papel social, cultural, acadêmico, e político. Foram a vanguarda do movimento republicano, da crise Acadêmica de 62 e 69, da luta contra a guerra colonial, contra as propinas, contra a passagem da UC a fundação. São um pólo de resistência face à elitização do Ensino Superior, e à crise imobiliária que assola as grandes cidades e expulsa os trabalhadores e estudantes. Mas desde o reconhecimento como património a preservar, não houve nem um cêntimo de qualquer organismo do Estado para as apoiar, arranjar ou comprar os edifícios (a mais antiga, está num edifício do séc. XVI!). A única lei que saiu do parlamento para as tentar salvar da Lei do Arrendamento (NRAU), foi uma que empurra a responsabilidade para os municípios e que não tem sido suficiente para evitar os despejos e aumentos astronômicos de renda, neste caso sem obras nenhumas. É uma hipocrisia tremenda. O Estado Português quer das Repúblicas o mesmo que quer dos bairros típicos de Lisboa e do Porto: fachadas bonitas para os turistas fotografarem. Se lá mora alguém ou não, é irrelevante. O Solar Residência dos Estudantes Açorianos, fundado em 1962, foi aquela onde eu tive a honra de viver, crescer, e lutar pela sua existência e de toda a comunidade das Repúblicas, e que continuamos hoje, infelizmente, ainda a lutar. Esta semana saiu a notícia que a banheira da república onde vivi caiu de um andar para outro e que a casa se encontra em risco de ruína[1]. É urgente que, mais uma vez, o Município de Coimbra tome posse administrativa da casa, e faça as obras urgentes que a senhoria se recusa a fazer, mesmo com um aumento de 1300% de renda, depois de 50 anos de negligência. Mas o Governo também tem de intervir para que todas as Repúblicas tenham o futuro assegurado, e não apenas mais uns meses. Não podemos continuar à espera, nem continuar a confiar em promessas vazias. Salvar as Repúblicas de Coimbra, e voltar a ter um Movimento Estudantil combativo e independente dos partidos do governo, são duas tarefas inseparáveis.

Artigo de Igor Constantino

Vistos "green" ou empregos para o clima?

Vistos

Recentemente, o PAN propôs no Parlamento a criação de "vistos green". Segundo o jornal Público, o PAN propõe que se dê um visto de residência aos "cidadãos de países terceiros que pretendam exercer actividades com um investimento em montante igual ou superior a 500.000 euros".

Afetos para Bolsonaro? Não em nosso nome!

Afetos para Bolsonaro? Não em nosso nome!

Após a vitória eleitoral de Jair Bolsonaro para a presidência do Brasil, este tomou posse a 1 de Janeiro. Bolsonaro é uma figura da extrema-direita.

Nenhuma liberdade aos inimigos da liberdade!

Nenhuma liberdade aos inimigos da liberdade!

A ida de Mário Machado ao programa da TVI Você na TV, apresentado por Manuel Luís Goucha, levantou várias polémicas e indignação. Tem sido justificada a sua presença como um exercício de liberdade de expressão e de pluralismo de ideias. Mesmo muita gente que o despreza é sensível a este argumento.

Entrevista com Osório Sousa: Abaixo a perseguição sindical no Porto de Leixões!

Entrevista com Osório Sousa: Abaixo a perseguição sindical no Porto de Leixões!

Os estivadores, sócios do Sindicato dos Estivadores e da Actividade Logística (SEAL), têm sido alvo de perseguição sindical, uma práctica completamente ilegal e abjeta. Os estivadores têm feito greves às horas extraordinárias contra esta discriminação de que são alvo.

Há 45 anos, as prisões de 16 de Dezembro de 1973

Há 45 anos, as prisões de 16 de Dezembro de 1973

Ditadura marcelista prende estudantes do secundário e rapa os seus cabelos num episódio que se tornou famoso como a “carecada”

Legalização da canábis?

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O tema da legalização da canábis é antigo. Portugal é considerado por muitos um dos países com a legislação mais avançada. Mas as drogas continuam a ser um caso de polícia e controladas pelo tráfico.

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