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Argentinas em luta pela vida das mulheres

Argentinas em luta pela vida das mulheres


É com entusiasmo que acompanhamos de longe a luta das nossas companheiras argentinas. Desde 2015 o movimento feminista tem vindo a crescer e impulsionado a organização das mulheres a nível internacional pelo fim da violência e da discriminação machista.

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O nosso corpo, as nossas regras

O nosso corpo, as nossas regras

Trump, eleito em 2016, baseou uma parte importante da sua campanha em propostas que visavam limitar os direitos reprodutivos das mulheres, o acesso a contraceptivos, consultas de planeamento familiar e o direito fundamental a decidir sobre os nossos corpos. Os ataques declarados do presidente dos EUA fomentaram mobilizações importantes de milhares de mulheres, que foram também a base da convocatória da greve feminista internacional e que deixaram evidente que as mulheres vão à luta. Ao mesmo tempo, as suas declarações polémicas deram esperança a setores reacionários, que encontram na política trumpista a resposta aos seus anseios.

Nas últimas semanas, a discussão principal baseou-se no que se chama o “heartbeat bill”, uma tentativa de reduzir a realização de abortos no território americano. Lembramos que o aborto nos EUA é legal desde o caso “Roe vs Wade”, em 1973, embora mais de metade dos Estados americanos tenha legislação própria que limita o seu acesso, baseado geralmente na “viabilidade” do feto e não na liberdade de escolha da mulher sobre a sua vida.

Em 2019, vários Estados aprovaram legislação que proíbe o aborto após as 6 semanas (entre eles, Geórgia, Iowa, Ohio, Kentucky, Mississippi e Dakota do Norte), nenhum aplicado até agora. No Missouri, a proposta é a proibição após as 8 semanas de gestação. Para termos um termo de comparação, em Portugal, a IVG por decisão da mulher é permitida até às 10 semanas de gestação. Eté às 16 semanas em casos de violação ou crime sexual e atè às 24 semanas em caso de malformação do feto. É também permitido a qualquer momento em caso de risco para a grávida ou em caso de um feto inviável. No Alabama, através da Human Life Protection Act, foi aprovada uma proibição quase total ao aborto, ratificada pelo governador republicano Kay Ivey, que prevê a punição criminal dos médicos que façam abortos (com penas até 99 anos de prisão), não prevê excepções para casos de violação ou incesto (sob o argumento de que a criança não deve ser culpada pelos crimes do pai). Algumas das propostas querem até punir quem tem um aborto por causas naturais, por exemplo.

Além dos limites gestacionais, alguns Estados adotaram uma série de outras medidas que afetam a possibilidade de realizar o aborto, restringindo o financiamento público, restringindo a cobertura das companhias de seguro, exigindo a “aprovação” de mais que um médico e permitindo que os médicos se recusem a fazer o procedimento.

Com o Presidente Trump na Casa Branca e o juiz Brett Kavanaugh no Supremo Tribunal, os legisladores estaduais aprovam leis cada vez mais rigorosas contra o aborto. Um governo composto de uma elite conservadora, que se apoia na desigualdade e opressão sistémicas para melhor explorar os de baixo, toma decisões no sentido de limitar a liberdade de escolha de milhares de mulheres, na esmagadora maioria das vezes em situação de pobreza e com grandes carências familiares. É risível. As declarações públicas de todos os políticos e movimentos que têm promulgado e apoiado estes ataques às leis do aborto não deixam dúvidas – o objectivo é destruir “Roe vs Wade” e restringir o direito ao aborto, até o ilegalizar totalmente, em todas as situações.

A verdade é que, desde 2006, se tem visto uma redução em cerca de 26% do número de abortos realizados nos EUA, muito devido ao aumento da oferta de contraceptivos acessíveis, como o DIU. Contudo, Trump ataca aqui também – reduz o apoio ao Planned Parenthood, responsável por este trabalho de difusão de métodos contraceptivos e diz às mulheres que engravidam que devem parir, mesmo que a gravidez seja fruto de uma violação.

Quem acha que ilegalizar o aborto, tornando o processo penoso e culpabilizante, vai contribuir para diminuir a sua realização, está profundamente enganado. Sempre houve e sempre existirá aborto – a diferença está nas condições de segurança disponibilizadas a quem necessita de recorrer a este procedimento. Na verdade, ilegalizar, punir e limitar só o torna mais perigoso, aumenta a taxa de mortalidade e de complicações para a nossa saúde. Isto não é uma medida de menor importância, trata-se de uma questão de saúde pública.

A ilegalização e a restrição do aborto têm duas mensagens subentendidas, que evidenciam uma visão social para o mundo: que as mulheres devem manter-se sem o direito a escolher sobre as suas próprias vidas e que o seu papel social é, sobretudo um e apenas esse, o de manter-se reservadas à tarefa da reprodução (mesmo que seja fruto de uma violação ou que não tenhamos condições para criar aquela criança). À semelhança da série “The Handsmaid Tail”, o projecto de Trump e de outros setores das elites reacionárias pelo mundo prevê para a mulher, fundamentalmente, a tarefa da reprodução (forçada, se necessário) e a tarefa doméstica. As limitações aos direitos das mulheres estão ao serviço da ideia de que a sua função é exclusivamente ter filhos/as, garantindo a existência de novas gerações de trabalhadores/as, prontos a serem brutalmente explorados pelo sistema em que vivemos.

Os (bons) exemplos de países onde o aborto é legal

Analisando três países (Uruguai, Estado Espanhol e Portugal), onde o aborto é legal e o seu acesso feito através do serviço nacional de saúde, o que se vê é que nos anos iniciais após a legalização, existe um ligeiro aumento dos procedimentos e posteriormente um redução ou estabilização. A cientista política González afirma que o aumento condiz com a etapa de implementação da lei. “A partir do momento em que a lei se consolida e as mulheres adquirem mais confiança no sistema de saúde, o sistema também vai gerando caminhos claros para o acesso ao direito. E aí as mulheres começam a utilizar com maior frequência o sistema de saúde e a lei.” Não se trata necessariamente de “um aumento real no número de abortos, mas um aumento no número de abortos legais: as mulheres deixam de fazê-lo de forma clandestina e passam a fazê-lo de maneira segura.”

Em 2007, em Portugal, a legalização do aborto foi aprovada recorrendo a um referendo nacional, que substituiu a lei que, desde 1984, despenalizava o aborto em casos de risco de morte ou à saúde da gestante, anomalia fetal incompatível com a vida e gestação decorrente de violação. Assim como no Estado Espanhol e no Uruguai, em Portugal, nos primeiros anos da nova lei, o número de abortos legais aumentou. No nosso país, o aborto é permitido até à 10.ª semana de gestação a pedido da grávida, podendo ser realizado no SNS ou em estabelecimentos de saúde privados autorizados. É também permitido até às 16 semanas em casos de violação ou crime sexual e atè às 24 semanas em caso de malformação. É também permitido a qualquer momento em caso de risco para a grávida ou em caso de um feto inviável. O sistema público de saúde é responsável por cerca de 75% das práticas de aborto legal em Portugal, o método farmacológico é utilizado em cerca de 98% dos casos. Já no sistema de saúde privado, cerca de 93% dos procedimentos são realizados por método cirúrgico, com anestesia geral.

Como se pode ver pelos ventos que percorrem atualmente o mundo, os direitos conquistados não são dado adquiridos. Isto fica visível, por exemplo, com as movimentações de Rajoy, no anterior Governo do PP, que tentou fazer retroceder a lei do aborto, ou com as políticas de Trump, que efectivamente reduzem drasticamente o acesso a este processo. O desinvestimento nos serviços nacionais de saúde, como acontece em Portugal, também restringe diretamente o acesso ao procedimento, que passa a ser algo pago (a bom preço) numa clínica privada, significando que milhares de mulheres que recebem o salário mínimo, em Portugal, vão deixar de ter acesso a um direito básico, a autodeterminação sobre o seu corpo e a sua vida. Legalizar o aborto é fundamental, mas deve ser acompanhado pelo investimento nos serviços públicos de saúde, pela educação sexual nas escolas e pelo livre acesso a métodos contraceptivos eficazes e seguros.

As mulheres, em vários países continuam hoje a lutar pela legalização do aborto, como é o caso na Argentina, no Brasil e na Irlanda, que através do referendo vitorioso, conseguiram garantir o acesso ao aborto, mudando a vida de milhares de mulheres para melhor. Os panos verdes da Argentina tornaram-se um símbolo internacional das mulheres em luta pelo direito a decidir sobre os seus corpos.

Estamos solidárias com as mulheres nos EUA, que enfrentam as políticas machistas de Trump e juntamos as nossas vozes aos gritos das argentinas. O direito ao aborto, legal, no serviço nacional de saúde e gratuito é um direito fundamental das mulheres. Denunciamos todos os ataques e restrições que estão a acontecer nos EUA e exigimos a legalização do aborto nos países em luta.

SOBRE O NOSSO CORPO, NÓS DECIDIMOS!

 

http://www.generonumero.media/portugal-espanha-e-uruguai-o-que-aconteceu-apos-legalizacao-do-aborto/

https://www.vox.com/2019/5/16/18628002/abortion-ohio-alabama-georgia-law-bill-details´

https://www.vox.com/2019/5/14/18623474/alabama-abortion-kay-ivey-roe-v-wade

https://www.usatoday.com/in-depth/news/nation/2019/05/15/abortion-law-map-interactive-roe-v-wade-heartbeat-bills-pro-life-pro-choice-alabama-ohio-georgia/3678225002/

 

Notas sobre as eleições no Estado Espanhol

Notas sobre as eleições no Estado Espanhol


O Estado espanhol foi a votos, no passado dia 28 de Abril, numa conjuntura marcada pela questão independentista Catalã e pela ascensão de sectores de extrema-direita, pela mão do VOX, na Andaluzia. Nesta região, a esquerda perdeu um dos seus bastiões históricos para a direita, em Dezembro passado, criando grande pressão para através do voto útil derrotar as forças mais reacionárias.

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Repudiamos o Golpe de Guaidó. Fim do bloqueio e das sanções à Venezuela!

Repudiamos o Golpe de Guaidó. Fim do bloqueio e das sanções à Venezuela!

Na madrugada de 30 de Abril, um grupo reduzido de polícias venezuelanos, capitaneados pelo auto-proclamado presidente interino Juan Guaidó, libertou o líder da extrema-direita Leopoldo López, já antes envolvidos em diversos golpes, e apelaram a uma sublevação militar contra Maduro.

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Por que pedimos ao Conan Osiris para boicotar Israel

Por que pedimos ao Conan Osiris para boicotar Israel


Num recente artigo publicado no P3, intitulado “Parem de pedir ao Conan para não ir a Telavive”, Jorge Dantas argumenta que o conflito entre Israel e os palestinianos é “eterno” e que a razão do conflito é o “medo” e o desejo de “segurança” para ambas as partes. O artigo diz que este é um conflito de “emoções” preso num “ciclo vicioso”. Ou seja, muito complicado e sem explicação lógica. E que, em vez de pedirmos a Conan Osiris que respeite o apelo ao boicote palestiniano, a táctica não violenta que estes escolheram para resistir à sua opressão, ele devia ir a Telavive para os “ajudar” a fazerem as pazes.

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A extrema-direita está em ascensão no Mundo?

A extrema-direita está em ascensão no Mundo?


Sim, em grande medida, mas quais as razões? Esta é uma das questões centrais que se coloca na actual situação política europeia. Na verdade a direita cresce porque a esquerda desistiu de dar voz aos oprimidos e descontentes em toda a Europa e em todo o Mundo. Principalmente a esquerda que capitulou ao sistema e se adaptou aos actuais regimes de privilegiados.

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Assange: Liberdade para quem denuncia as atrocidades que o secretismo de Estado impõe aos povos

Assange: Liberdade para quem denuncia as atrocidades que o secretismo de Estado impõe aos povos


Assange nasceu em 1971, em Queensland, na Austrália. Estudou física e matemática na Universidade de Melbourne e, em 2006, fundou a WikiLeaks, uma organização que, com o apoio de ativistas, conseguiu ter acesso a milhares de documentos institucionais secretos, que posteriormente tornou públicos.

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A tragédia em Moçambique. Colonialismo e crise climática. É o imperialismo, estúpido.

A tragédia em Moçambique. Colonialismo e crise climática. É o imperialismo, estúpido.


O colonialismo, a pobreza e o racismo a que são jogados milhões de seres humanos, particularmente aqueles que vivem à margem do centro capitalista, potencia as tragédias como a ocorrida em Moçambique, neste mês de Março.

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Greve Climática Estudantil: irrompe um movimento de massas pela justiça climática

Greve Climática Estudantil: irrompe um movimento de massas pela justiça climática
“Temos de manter os combustíveis fósseis sob o solo e focar-nos na igualdade. E se as soluções são impossíveis de encontrar dentro deste sistema, talvez tenhamos que mudar o próprio sistema.”
Greta Thunder, na Cimeira COP 25 da ONU

No passado dia 15, cerca de dois milhões de jovens fizeram greve às aulas e manifestaram-se em todo o mundo, por soluções imediatas para a crise do clima. Em mais de 1000 cidades, em 100 países, jovens, sobretudo do ensino secundário – mas também universitários, professores e outros populares – manifestaram-se aos milhares. Em capitais como Berlim, Londres, Seul, Washington, Cidade do Cabo ou tantas outras, dezenas de milhares protestaram junto aos parlamentos e centros de poder. Exigiam medidas imediatas como fim da extração de combustíveis fósseis, investimento público na transição para as energias renováveis imediatamente, ao mesmo tempo em que denunciavam a hipocrisia de Governos e Multinacionais.

Um movimento em ascensão

Este movimento vem crescendo nos últimos meses. Ele foi inspirado pela activista sueca de 15 anos, Greta Thunder, que desde agosto do ano passado começou, inicialmente sozinha, a faltar às aulas todas as sextas-feiras para protestar por justiça climática na escadaria do parlamento. O seu exemplo inspirou milhares de jovens suecos e Greta foi elevada ao estatuto de porta-voz do activismo ambiental. Porém, as palavras firmes da activista contra os governos e o próprio sistema ecológico global e o apelo continuo as mobilização de massas pela Justiça Climática, criaram um movimento que em poucos meses se virou contra os principais Governos e escapa ao controlo do “ambientalismo” institucionalizado. Provavelmente, pela primeira vez na história irrompeu um movimento de massas global pela salvação do planeta da predação capitalista. Não meramente um movimento “ecologista”, mas um movimento pela Justiça Climática, que nega as soluções de mercado e o capitalismo verde, exige justiça social e coloca as principais vítimas da crise climática, as populações mais pobres e a juventude, como protagonistas da mudança.

No dia 15, em Londres, Dublin, Belfast ou Edimburgo dezenas de milhares de estudantes encheram as ruas. Esta foi a 30ª semana seguida em que, à sexta-feira, os estudantes fazem greve pela justiça climática. Em semanas anteriores, professores juntaram-se às “Fridays for Future” (Sextas-Feiras pelo Futuro), exigindo a alteração dos currículos, para formar os jovens sobre a crise do clima. Na Bélgica, este foi também o ponto alto de um movimento que cresce há meses. Desde o início do ano que os jovens têm feito greve às aulas todas as quintas-feiras, com manifestações semanais de mais de 10 mil estudantes em Bruxelas exigindo medidas imediatas do Governo – em Dezembro e Janeiro, manifestações a que se juntaram pais e professores, trouxeram mais de 75 mil às ruas!

Na Suécia, Dinamarca e Finlândia o movimento também cresce há meses e na Alemanha re-alimenta um forte movimento social ambientalista que em anos recentes obteve vitórias contra a energia nuclear. Do outro lado do Atlântico, “Sunrise Movement”, um movimento de juventude dos EUA pela Justiça Climática, tem enfrentado tanto Trump como os Democratas, e conseguiu colocar o chamado “Green New Deal” no centro da agenda política. Noutros países, as greves climáticas deram os primeiros passos no último dia 15, mas alcançaram números impressionantes. Em França 350 mil pessoas manifestaram-se por todo o país, superando os números das recentes manifestações dos “Coletes Amarelos”.

Dezenas de milhares de jovens, organizados quase que espontaneamente pelas redes sociais, encheram as ruas de Portugal, Itália, Grécia e do Estado Espanhol. Nestes países o terreno para a luta climática é literalmente inflamável: as ondas de incêndios devastadores em anos recentes, assim como as igualmente destrutivas ondas de austeridade, fermentam a sede de justiça climática e social. As novas gerações percebem que não só não vão ter os empregos e salários das gerações anteriores: se nada for feito, tão pouco terão um planeta!

Rebelião ou extinção!

Dois relatórios recentes mostram que o alarme global da juventude está correcto. Trazido a público no final do ano passado, um relatório do IPCC (Painel Internacional para as Alterações Climáticas da ONU) avisa que o “tecto” de aquecimento médio da atmosfera em 2°c até ao final do século, limite assumido pela generalidade dos governos nos acordos de Paris, está sobrestimado. Baseados em novos modelos mais complexos, os especialistas dizem que o máximo absoluto a que pode chegar a subida média da temperatura atmosférica é 1.5°. Com um aumento superior a este, os riscos de desencadear um cenário de desregulação climática global, são demasiado grandes. A má notícia é que já atingimos hoje uma subida média da temperatura de 1°c face aos valores anteriores à era industrial!

Cego perante este cenário, o capitalismo avança para o abismo: após uma leve descida nos anos de crise financeira, desde 2016 as emissões de gases com efeito estufa – responsáveis pelo aquecimento global – têm aumentado. 2018 foi o ano com mais emissões desde sempre!

Um segundo relatório, da Assessoria Nacional para o Clima, dos EUA, as medidas tomadas até hoje pelos vários governos têm sido ineficientes, e pelo presente ritmo, no final do século estaremos perante um aumento médio de temperatura não de 1,5°c nem de 2°c, mas de 5! Ou seja, o sistema capitalista, dependente de combustíveis fósseis, conduz-nos para a destruição da civilização como a conhecemos e de grande parte das espécies animais e de plantas. O derretimento dos pólos, a submersão da maioria das grandes metrópoles, secas e cheias extremas, que tornariam regiões inteiras do global inabitáveis, a desregulação das correntes oceânicas, a perda de grandes áreas agrícolas férteis, crises migratórias acrescidas. Tudo isso seria altamente provável perante um aumento de 5°c das temperaturas médias. Há por isso, motivo para alarme.

Um movimento de massas contra os governos e os bilionários petrolíferos

Há também soluções. Estes relatórios apontam que para evitar estes cenários é necessário travar as emissões globais de gases de efeito estufa em 40% até 2035 e em 100% até 2050. Isso é tecnicamente possível. Exige parar imediatamente toda a prospecção de carvão, petróleo e gás natural, fazer uma transição global para fontes de energia renováveis. Um estudo de 2015 da Universidade de Standard, de Mark Jacobson comprova que a economia dos EUA, que é o maior emissor do mundo per capita, pode transitar 100% para energias renováveis até 2050. Mesmo os críticos desde estudo concordam que essa meta é tecnicamente possível em 80%.

É possível salvar o planeta e o futuro e o presente de milhões. Isso não acontece porque os Governos de todo o mundo, sejam abertamente negacionistas das alterações climáticas, como Trump ou Bolsonaro, ou pelo contrário, se mostrem muito preocupados, como Merkel ou Costa, são incapazes de tocar os interesses das grandes petrolíferas, das grandes montadoras e do complexo industrial-militar. E assim, arrastam a humanidade para a barbárie.

Um amplo movimento de massas, que confronte os governos e os “fossil-fuel bilionaires” (bilionários dos combustíveis fósseis), nas palavras dos jovens activistas do Sunrise Movement, pode obter vitorias. A irrupção daquele que parece ser o maior movimento estudantil desde o maio de 68, pode, como aconteceu à época, estabelecer as alianças com a classe trabalhadora e assim abalar todo o sistema. Como afirmou a jovem activista sueca Greta Thunberg perante o olhar atónito dos Governantes do mundo reunidos na Cimeira Climática da ONU na Polónia: “A mudança vem a caminho, quer vocês queiram quer não. O verdadeiro poder pertence ao povo!”

 

Artigo de Manuel Afonso

Não é democracia, não é humanismo. É o Capital, estúpido!

Não é democracia, não é humanismo. É o Capital, estúpido!


A expressão “É a economia, estúpido!”, foi utilizada na eleição de Bill Clinton, candidato democrata, que disputou em 1992 a Presidência dos EUA. O objetivo era criticar a condução da política econômica para derrotar George H. Bush, na corrida presidencial. 1

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Argélia: o regime moribundo e a mobilização crescente

Argélia: o regime moribundo e a mobilização crescente


Pela quarta vez consecutiva, as sextas feiras, milhares de argelinos saíram às ruas, no dia 15 de março para exigir a saída do presidente. Os manifestantes não querem apenas que o atual presidente desista de concorrer a um quinto mandato. Eles exigem a saída imediata do presidente e do regime político que ele encarna, no poder há 20 anos.

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Deixemo-nos de ilusões: “Não há planeta B!”

Deixemo-nos de ilusões: “Não há planeta B!”

É inédito. Greves e manifestações de estudantes, por todo o mundo, em defesa do clima. Fala-se em centenas de milhares de estudantes que, da Suécia às Filipinas, passando por países como o Uganda, saíram à rua, mobilizados em prol da defesa do ambiente, tão vilipendiado pelo sistema capitalista.

Os estudantes de todo o mundo, incluíndo os portugueses, inspiraram-se na estudante Greta Thunberg, natural de Estocolmo, na Suécia, que começou a fazer greve todas as sextas-feiras (#fridaysforfuture), em frente ao parlamento sueco, desde 20 de Agosto de 2018, como forma de protesto contra a forma como os governos de todo o mundo estão a falhar na transição energética. São sobretudo estudantes do secundário, embora também os universitários tenham marcado presença. As jovens mulheres eram as mais aguerridas, apoiadas também por grupos LGBT.

A mobilização é um passo fundamental no alcance da transição energética. Pela sua urgência. Mas também porque a história da humanidade nos diz que o desenvolvimento se dá através dos choques entre os interesses dos de baixo, em movimento, contra os interesses instalados das elites que nos governam.

Não conseguiremos convencer, com apelos morais, a grande indústria automóvel, as gigantescas indústrias petrolíferas, nem a grande finança de que têm de abdicar dos seus lucros, provenientes dos combustíveis fósseis, em defesa do ambiente. Façamos todos como os estudantes e deixemo-nos de ilusões. A evidência está no Acordo de Paris que, liderado pelos governos das maiores potências mundiais, simplesmente não tem como avançar, pois os maiores produtores de petróleo (EUA, Rússia, Arábia Saudita ou Kuwait), chefiados pelos sectores mais retrógrados da sociedade, não reconhecem sequer a existência do aquecimento global. É fácil concluir que as elites capitalistas, entre as quais, as europeias, desvalorizam o problema ambiental, ainda para mais num momento em que a crise económica faz crescer os nacionalismos e os setores mais reacionários das elites, negacionistas dos problemas ambientais. Esta é a conclusão a que a juventude já chegou, tentando agora incidir sobre quem nos governa.

Nas manifestações em Portugal, a juventude mostrou-se ávida de informação, procurando ler tudo o que estava disponível, a nível de panfletos, enquanto gritavam palavras de ordem como: “Senhor ministro, diga por favor, porque é que é inverno e ainda faz calor”, “Não há planeta B”, “Oh Costa, escuta, estudantes estão em luta” e “Estudantes unidos, jamais serão vencidos”.

Em Lisboa, estiveram presentes mais de 4 mil estudantes, com muita garra. Uma nova geração que se dispõe a lutar contra as políticas do sistema capitalista que, não só incita ao consumismo desenfreado e nocivo, como não respeita os acordos de limitação de emissão de gases nocivos.

Em Portugal, o Governo Costa não está inocente no agravamento dos problemas ambientais. Começando pela tentativa de destruição da nossa costa com a exploração petrolífera, passando pela falta de controlo e punição das indústrias que poluem os nossos rios, até ao possível Aeroporto do Montijo, planeado para uma das maiores zonas de nidificação europeia de aves, o Governo Costa evidencia a falta de qualquer plano para o ambiente. Basta, a transição energética tem de ser imediata! Não existe planeta B!

Até 2035, 100% da energia consumida nas casas e nos escritórios tem de provir de fontes renováveis e todos os veículos que circulem nas estradas europeias têm de ser movidos a eletricidade. É necessário investimento em transportes públicos e numa alteração da dieta alimentar, passando a consumir menos carne e a fazer menos desperdício alimentar. Para compensar as emissões de gases de efeito de estufa que existirem, é necessário um investimento sério na floresta. Este processo terá a capacidade de criar milhares de empregos em setores ambientalmente sustentáveis.

 Como diz Greta Thunberg, “se as soluções dentro deste sistema são tão impossíveis de encontrar, então talvez tenhamos de mudar o próprio sistema”.

 

Quem mandou matar Marielle?

Quem mandou matar Marielle?


“Sou força porque todas nós somos,
Sigo porque seguimos todas juntas,
Eu sou Marielle Franco, mulher, negra, mãe, da favela,
Eu sou porque nós somos”

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O MAS apoia a greve climática estudantil

O MAS apoia a greve climática estudantil

 

Em 2018, o Hemisfério Norte foi assolado por vagas de calor e de frio sem precedentes, bem como incêndios florestais na Califórnia, por toda a Europa e em sítios tão improváveis como a Escandinávia e o Reino Unido. Cheias, furacões e tufões de magnitudes inéditas afectaram milhões de pessoas em vários pontos do globo. A população de insectos está a cair a pique em todo o mundo, com 40% das espécies em declínio e um terço em perigo de extinção, com resultados catastróficos para os ecossistemas globais e para a agricultura.

 Em Portugal, depois dos incêndios mortíferos de 2017 e das secas que esvaziaram bacias hidrográficas até Março de 2018, o Verão trouxe temperaturas que bateram recordes em várias localidades, com Lisboa a atingir os 46º. Fica claro que 2018 foi um ano nunca visto no que a fenómenos climáticos extremos diz respeito.

 Sabemos que, actualmente, é um aumento de apenas 1.5º da temperatura global que nos separa do colapso civilizacional. Reunindo as alterações climáticas o consenso da comunidade científica desde o início dos anos 90, e após 24 conferências climáticas organizadas pela ONU - das quais resultaram acordos tímidos e não vinculativos sem efeitos práticos -, a Hora H chegou para a Humanidade.

 Perante a indiferença dos governos mundiais, estudantes por todo o mundo estão a seguir o exemplo da jovem activista Greta Thunberg e têm realizado greves estudantis todas as sextas-feiras desde Novembro de 2018 em 5 continentes. Apesar do apoio que este movimento tem recebido por parte de académicos, a resistência e a condescendência com que este movimento tem sido recebido por vários líderes mundiais é enfurecedora. Esta sexta-feira 15 de Março será o maior dia de protesto e greve estudantil até ao momento,com mais de 1200 cidades, em mais de 90 países, a mobilizarem-se.

 O Movimento Alternativa Socialista saúda a Greve Climática Estudantil que por cá se realizará em cerca de 30 localidades e junta-se aos protestos de uma geração que diz claramente aos seus políticos que “até começarem a focar-se no que tem de ser feito, em vez do que é politicamente possível, não há esperança” e que “se as soluções dentro do sistema são tao impossíveis de encontrar, então talvez seja preciso mudar o sistema em si.” (Greta Thunberg).

Porque o futuro não pode esperar, a 15 de Março os estudantes exigem:

  Redução da Neutralidade carbónica para 2030 e não 2050

  Aposta maior nas energias renováveis

  Impostos mais altos às empresas que excedam as emissões de carbono

  Maior e melhor monitorização dos rios para não haver despejos de residuos industriais tóxicos

  Melhoramento drástico dos transportes públicos

  Encerramento das duas centrais eléctricas ainda movidas a carvão (central de Sines e central do Pego)

  Proibição defnitiva da exploração de energias fósseis em Portugal

 

 

Manifesto Feminista Internacional

Manifesto Feminista Internacional

 

Mulheres de vários países organizaram um manifesto internacional apelando à organização das mulheres para além do 8 de março. Entre as subscritoras estão Cinzia Arruzza, co-autora do Manifesto Feminismo para os 99% e Monica Benício, viúva da vereadora Marielle Franco. É possível assinar, entrando na plataforma. Confira o texto na íntegra abaixo:

Para Além do 8 de Março: Rumo a uma internacional Feminista

Pelo terceiro ano consecutivo a nova onda feminista transnacional chamou um dia de mobilização global no 8 de março: greves legais do trabalho assalariado – como as 5 milhões de grevistas do 8 de março de 2018 na Espanha e as centenas de milhares no mesmo ano na Argentina e na Itália; greves protagonizadas pelas bases de mulheres sem direitos ou proteção trabalhistas, greves do trabalho de cuidado e não pago; greves de estudantes, mas também boicotes, marchas e trancamentos de vias. Pelo terceiro ano consecutivo mulheres e pessoas queer por todo o mundo estão se mobilizando contra os feminicídios e toda forma de violência de gênero; pela autodeterminação de seus corpos e acesso ao aborto seguro e legal; por igualdade salarial para trabalhos iguais; pela livre sexualidade. Se mobilizam também contra os muros e fronteiras; o encarceramento em massa; o racismo, a islamofobia e o anti-semitismo; a desapropriação das terras de comunidades indígenas; a destruição de ecossistemas e a mudança climática. Pelo terceiro ano consecutivo, o movimento feminista está nos dando esperança e uma visão para um futuro melhor em um mundo em desmoronamento. O novo movimento feminista transnacional é moldado pelo sul, não só no sentido geográfico, mas também no sentido político, e é nutrido por cada região em conflito. Essa é a razão de ele ser anticolonial, antirracista e anticapitalista.

Estamos vivendo um momento de crise geral. Essa crise não é de forma alguma somente econômica; é também política e ecológica. O que está em jogo nessa crise são nossos futuros e nossas vidas. Forças políticas reacionárias estão crescendo e apresentando-se como uma solução a essa crise. Dos EUA à Argentina, do Brasil à India, Itália e Polônia, governos e partidos de extrema direita constroem muros e cercas, atacam os direitos e liberdades LGBTQ+, negam às mulheres a autonomia de seu próprio corpo e promovem a cultura do estupro, tudo em nome de um retorno aos “valores tradicionais” e da promessa de proteger os interesses das famílias de etnicidade majoritária. Suas respostas à crise neoliberal não é resolver a raíz dos problemas, mas atacar os mais oprimidos e explorados entre nós.

A nova onda feminista é a linha de frente na defesa contra o fortalecimento da extrema-direita. Hoje, as mulheres estão liderando a resistência a governos reacionários em inúmeros países.

Em setembro de 2018, o movimento “Ele Não” juntou milhões de mulheres que se levantaram contra a candidatura de Jair Bolsonaro, que agora tornou-se um símbolo mundial dos planos da extrema-direita para a humanidade e o catalisador de forças reacionárias na América Latina. Os protestos ocorreram em mais de trezentas cidades no Brasil e em todo o mundo. Hoje, Bolsonaro está colocando em prática uma guerra contra os pobres, as mulheres, as LGBTQ+ e as pessoas negras. Ele apresentou uma reforma da previdência draconiana e afrouxou as leis de controle das armas. Feminicídios estão disparando num país que já em 2018 tinha um dos maiores números de feminicídios do mundo, sendo 70% dessas mulheres assassinadas negras. 126 feminicídios já ocorreram em 2019. O movimento feminista brasileiro está respondendo esses ataques e se preparando para a mobilização no 8 de março e novamente no 14 de março, no aniversário do assassinato político de Marielle Franco, ao mesmo tempo em que emergem informações sobre os fortes laços entre os filhos de Bolsonaro e um dos milicianos responsáveis por sua morte.

Da mesma forma, o Non Una Meno na Itália é hoje o único movimento organizado respondendo às políticas anti-imigrantes e misóginas do governo de direita da Liga Norte e do Movimento Cinco Estrelas. Na Argentina, mulheres lideraram a resistência contra as políticas neoliberais de direita do governo Macri. E, no Chile, o movimento feminista está lutando contra a criminalização da luta dos povos indígenas e o machismo sistêmico de uma educação muito cara.

O movimento feminista também está redescobrindo o significado da solidariedade internacional e da iniciativa transnacional. Nos últimos meses o movimento feminista argentino usou o evocativo nome de “Internacional Feminista” para se referir à prática da solidariedade internacional reinventada pela nova onda feminista, e em alguns países, como a Itália, o movimento está discutindo a necessidades de encontros transnacionais para melhor coordenar e compartilhar visões, análises e experiências práticas.

Diante da crise global de dimensões históricas, mulheres e pessoas LGBTQ+ estão encarando o desafio e preparando uma resposta global. Depois do próximo 8 de março, chegou a hora de levar nosso movimento um passo adiante e convocar reuniões internacionais e assembleias dos movimentos: para tornar-se o freio de emergência capaz de deter o trem do capitalismo global, que descamba a toda velocidade em direção à barbárie, levando a bordo a humanidade e o planeta em que vivemos.​

Amelinha Teles (União de Mulheres de São Paulo, Brazil)

Andrea Medina Rosas (Lawyer and activist, Mexico)

Angela Y. Davis (Founder of Critical Resistance, US)

Antonia Pellegrino (Writer and activist, Brazil)

Cinzia Arruzza (Co-author of Feminism for the 99%. A Manifesto)

Enrica Rigo (Non Una di Meno, Italy)

Julia Cámara (Coordinadora estatal del 8 de marzo, Spain)

Jupiara Castro (Núcleo de Consciência Negra, Brazil)

Justa Montero (Asamblea feminista de Madrid, Spain)

Kavita Krishnan (All India Progressive Women’s Association)

Lucia Cavallero (Ni Una Menos, Argentina)

Luna Follegati (Philosopher and activist, Chile)

Marta Dillon (Ni Una Menos, Argentina)

Monica Benicio (Human rights activist and Marielle Franco’s widow, Brazil)

Morgane Merteuil (feminist activist, France)

Nancy Fraser (Co-author of Feminism for the 99%. A Manifesto)

Nuria Alabao (Journalist and Writer, Spain)

Paola Rudan (Non Una di Meno, Italy)

Sonia Guajajara (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil)

Tatiana Montella (Non Una di Meno, Italy)

Tithi Bhattacharya (Co-author of Feminism for the 99%. A Manifesto)

Veronica Cruz Sanchez (Human rights activist, Mexico)

Verónica Gago (Ni Una Menos, Argentina)

Zillah Eisenstein (International Women’s Strike, US)

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