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Solidariedade com Afrin, al-Ghouta, Idlib contra todos os ataques militares

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amescropFace aos acontecimentos recentes na guerra civil da Síria, nomeadamente à invasão por parte da Turquia da província de Afrin localizada no Curdistão Sírio e aos bombardeamentos do regime de Assad nas cidades de Idlib e al-Ghouta, reproduzimos a declaração da Aliança dos Socialistas do Médio Oriente1, publicada originalmente a 24 de Janeiro no site da organização.

Nós, a Aliança dos Socialistas do Médio Oriente, opomo-nos aos vários ataques militares em Afrin, Idlib e Ghouta Oriental e apoiamos todos os civis inocentes na Síria… Tem havido um consenso entre todos os poderes internacionais e regionais na necessidade de liquidar os movimentos populares revolucionários surgidos em Março de 2011…

 

Solidariedade com Afrin contra a intervenção militar turca

Desde 20 de Janeiro de 2018, militares turcos, apoiados por milícias da oposição síria pró-turca, lançaram uma ofensiva aérea e terrestre de larga escala, designada “Operação Ramo de Oliveira” na província de Afrin, localizada no noroeste da Síria, com uma população de maioria curda e controlada pelo Partido da União Democrática (PYD) e as suas Unidades de Proteção Popular (YPG). Pelo menos 30 civis foram mortos desde o início da operação.

Afrin recebeu muitos deslocados internos de outras regiões do país o que levou ao duplicar da sua população para cerca de 400.000 a 500.000, visto ter sido relativamente poupada pela guerra e agressões das forças do regime de Assad.

Este ataque ocorre depois de meses de tensões e agressões por parte de militares turcos contra Afrin. O exército turco usou como pretexto a declaração de um porta-voz militar da coligação global liderada pelos EUA contra o Estado Islâmico (EI) para estabelecer uma força de 30.000 soldados na fronteira entre a Síria e a Turquia, sob o comando das Forças Democráticas Sírias (FDS), comandadas pelas Unidades de Proteção Popular (YPG). Na opinião de Ankara, a decisão dos EUA significa que a colaboração entre os EUA e as YPG não teria terminado com o colapso do EI, como esperava o governo turco.

Ankara considera as Unidades de Proteção Popular (YPG) e o PYD na Síria como uma extensão do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que os EUA, a União Europeia e a Turquia classificam como uma organização terrorista.

O presidente turco Recep Tayyip Erdogan afirmou que a operação em Afrin será seguida por uma outra contra Manbij. Erdogan ameaçou ainda qualquer voz crítica contra a “Operação Ramo de Oliveira” na Turquia, numa referência clara ao partido pró-curdo Partido Democrático dos Povos (HDP), afirmando que “onde quer que saiam às ruas, as nossas forças de segurança estarão no vosso encalço”. Com a exceção do HDP, o resto da maioria dos partidos na Turquia, incluindo o fascista Partido de Ação Nacionalista (conhecido como MHP) e o Partido Republicano do Povo (conhecido por CHP), apoiam a intervenção militar turca.

Além de uma declaração por parte do Ministro dos Negócios Estrangeiros russo expressando “preocupação” e apelando a que ambas as partes “demonstrem contenção”, Moscovo, que controla uma grande parte do espaço aéreo sírio, acabou por dar luz verde à Turquia para esta invasão e retirou as suas forças das áreas visadas pelas forças turcas. Os oficiais russos têm exigido que as YPG entreguem Afrin ao regime sírio para “parar” os ataques turcos na região.

Os EUA têm permanecido bastante passivos, apelando apenas a que a Turquia atue com contenção e que assegure que as operações militares sejam limitadas nos alvos e na duração. Ao mesmo tempo, diplomatas russos, iranianos e turcos encontraram-se para prepararem o “Congresso do Diálogo Nacional” Sírio, que terá lugar em Sochi, na Rússia, a 30 de Janeiro, e procura consolidar o assim designado processo de paz, na qual as estruturas do regime de Assad serão mantidas.

A Coligação Nacional Síria da Oposição e das Forças Revolucionárias (conhecida por Etilaf), composta na sua maioria por liberais, conservadores Islâmicos, grupos fundamentalistas e personalidades, não só apoiaram a intervenção militar turca e continuaram com a sua política chauvinista contra os curdos na Síria, como estão a participar nesta operação, apelando a que os refugiados sírios na Turquia se juntem aos grupos da oposição armada síria que combatem em Afrin.

A atual operação militar turca contra Afrin e o recente fracasso após o referendo para a independência no Curdistão Iraquiano demonstram que os poderes internacionais e regionais não têm interesse em que se materializem quaisquer aspirações nacionais e autonómicas curdas. Fica evidente que o apoio prévio de Moscovo e de Washington às YPG, e o apoio das YPG à campanha aérea e militar russa junto com o regime de Assad lançada no final de Setembro de 2015, não preveniram a agressão de Ankara contra Afrin.

De um modo geral, a operação de Afrin reflete a fraqueza de todas as forças democráticas e progressivas na Síria face à destruição da revolução por parte do regime de Assad e dos seus aliados e ao consequente poder renovado do regime que recebeu o reconhecimento de todos os intervenientes internacionais.

 

Solidariedade com Idlib e Al-Ghouta contra os ataques das forças do regime de Assad e dos seus aliados russos

Ao mesmo tempo, condenamos os ataques do regime de Assad a Ghouta Oriental e Idlib, áreas supostamente consideradas “zonas de segurança” de acordo com as negociações de “paz” de Astana, lideradas pela Rússia, Irão e Turquia.

Desde meio de Novembro de 2017, as perto de 400.000 pessoas que vivem em Ghouta Oriental têm sido sujeitas a ataques aéreos e bombardeamentos quase diários por parte das forças do regime e dos seus aliados. Pelo menos 21 civis foram mortos pelos ataques aéreos do regime na cidade entre 20 e 22 de Janeiro. Isto eleva o número de mortos para mais de 200 civis desde que o regime aumentou a ofensiva nesta área a 29 de Dezembro. De acordo com a Defesa Civil local, supõem-se que as forças do regime tenham disparado nove projeteis contendo gás cloro na cidade de Douma a 20 de Janeiro, ferindo 21 pessoas. Relembramos que esta região está cercada pelo regime e por milícias aliadas desde 2013.

Os grupos da oposição em al-Ghouta também atacaram vários distritos de Damasco, resultando na morte e ferimento de cerca de uma dúzia de civis nestas últimas semanas.

Juntamente com isso, na sequência dos avanços do regime, a sul de Idlib e no norte rural de Hama, mais de 200.000 civis ficaram desalojados no último mês, enquanto mais de 100 pessoas foram mortas nos combates.

Tanto em Idlib como al-Ghouta, os socialistas precisam de se solidarizar com os civis contra o autoritarismo dos movimentos salafistas e jihadistas Hay'at Tahrir al-Sham2 e Jaysh al-Islam3, respetivamente.

Tem havido um consenso entre todos os poderes internacionais e regionais na necessidade de liquidar os movimentos populares revolucionários surgidos em Março de 2011 na Síria e estabilizar o regime assassino e autoritário em Damasco com Bashar al-Assad à sua frente em nome da “guerra contra o terrorismo”. É este consenso que deu carta branca para estes crimes.

Face a este consenso contra-revolucionário, o que se precisa desesperadamente é de solidariedade entre todos (árabes, curdos e todas as outras minorias étnicas) os revolucionários que estão contra o regime de Assad e todos os poderes regionais e imperialistas internacionais e o apoio às lutas por justiça social, direitos das mulheres e direitos das minorias oprimidas.

A Aliança dos Socialistas do Médio Oriente apoia o direito à autodeterminação do povo curdo na Síria e nos outros países. Isto não significa que adotemos uma posição acrítica face às políticas dos partidos curdos que lideram estas lutas, seja o PYD, o Partido Democrático do Curdistão ou outros, especialmente no que toca a violações dos direitos humanos contra civis4.

Contra todas as formas de sectarismo e racismo!

Os nossos destinos estão ligados!


Artigo original: https://www.allianceofmesocialists.org/solidarity-afrin-al-ghouta-idlib-military-attacks/


Notas

A Aliança dos Socialistas do Médio Oriente é uma organização fundada em Novembro de 2017, composta por ativistas de várias nacionalidades de países do Médio Oriente, nomeadamente sírios, iranianos, curdos, palestinianos e libaneses. Em 2016 começou por agregar sírios e iranianos, procurando fortalecer a solidariedade entre os ativistas que se opunham aos seus regimes autoritários, designando-se Aliança de Socialistas Sírios e Iranianos. A sua carta de princípios pode ser lida no site https://www.allianceofmesocialists.org/alliance-middle-eastern-socialists-founding-statement-principles/

Organização pela Libertação do Levante ou Comité de Libertação do Levante, geralmente conhecida por Tahrir al-Sham e tendo como abreviatura HTS, é o braço da Al-Qaeda na Síria.

Exército do Islão, inicialmente fundado com o nome de Liwa al-Islam (Brigadas do Islão), é uma coligação fundamentalista islâmica envolvida na Guerra Civil da Síria.

Têm sido feitas algumas acusações contra o PYD relativamente a violações de direitos humanos contra populações árabes.

 
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